Pinot noir
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A pinot noir é uma casta de uva para vinho. O nome pode referir-se também aos vinhos produzidos sobretudo a partir desta uva. O nome deriva das palavras francesas pine (pinha) e noir (preta). O termo pine deve-se ao facto de esta casta produzir cachos apertados e cónicos, em forma de pinha.
Considera-se que produz alguns dos vinhos mais elegantes do mundo, mas é uma casta difícil de cultivar e de vinificar. A uva tende a produzir cachos apertados, o que a torna suscetível a riscos vitícolas, entre os quais se inclui a podridão, e requer uma manutenção diligente da copa. A sua pele fina e os seus baixos níveis de compostos fenólicos fazem com que a pinot noir produza vinhos de cor clara, corpo médio e poucos taninos. Os vinhos desta casta têm um envelhecimento desigual e imprevisível, podendo passar por uma fase muda (em que não se apreciam os sabores nem os aromas). Quando são jovens, os vinhos de pinot noir tendem a ter aromas de frutos vermelhos, como cerejas, framboesas e morangos. À medida que envelhecem, podem desenvolver aromas vegetais e "de celeiro".
A pinot noir é cultivada em todo o mundo, sobretudo nas regiões frias, embora seja associada sobretudo à região francesa da Borgonha. Outras regiões vitícolas alcançaram prestígio com a pinot noir, como o vale do Willamette, no Oregon, Carneros, a Costa Central e a zona do rio Russian River, na Califórnia, a região sul-africana da Baía de Walker, a Tasmânia e o vale de Yarra, na Austrália, e as regiões de Central Otago, Martinborough e Marlborough, na Nova Zelândia. A pinot noir também é uma uva utilizada na produção de vinho espumante na região de Champanhe e noutras regiões vinícolas.
As folhas da pinot noir costumam ser mais pequenas do que as da cabernet sauvignon ou da syrah, e a videira é geralmente menos vigorosa do que essas castas. O cacho é pequeno e de forma cónico-cilíndrica, semelhante a uma pinha. Alguns historiadores da viticultura acreditam que essa semelhança de forma poderá ser a origem do seu nome.[4] Nos vinhedos, a pinot noir é sensível ao vento, à geada, ao nível de brotação (deve ter baixos rendimentos para produzir um vinho de qualidade), ao tipo de solo e às técnicas de poda. Na vinificação, é sensível aos métodos de fermentação, às estirpes de levedura e reflete muito bem o terroir em que se encontra, produzindo vinhos muito diferentes consoante a região. A sua pele fina torna-a suscetível à podridão (botrytis cinerea) e a doenças fúngicas semelhantes do cacho. As videiras são suscetíveis ao míldio e, na Borgonha (e noutros locais), à infeção pelo enrolamento da folha e pelo vírus GFLV, designado em inglês por fanleaf, que também ataca as folhas. Estas complicações deram a esta uva a reputação de ser difícil de cultivar: Francis Robinson disse que a pinot era «uma videira atrevida» e André Tchelistcheff declarou que «Deus criou a cabernet sauvignon e o diabo criou a pinot noir». É muito menos tolerante do que a cabernet sauvignon, a syrah, a merlot e a garnacha ao vento, ao calor e à seca.